quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Férias?!
Mas tudo bem, porque daqui a pouco tem férias e todo mundo esquece isso. Além de a Rita não ficar me ligando pedindo o relatório, o Armando, aquele otário, não ficar falando de quantas mulheres ele acha que já comeu nessa semana, não ter mais que ficar em frente ao computador trabalhando, e, principalmente, eu não vou mais ficar horas no trânsito pra ir trabalhar. Não. Esses trinta dias serão meus!
As férias vão ser do caralho! A Cá vai ficar me ligando pra saber porque num liguei pra ela, meus amigos, e não aquele otário do Armando, vão ficar falando de quantas mulheres eu deixei de comer porque tava trabalhando, finalmente vou levantar da cadeira em frente ao computador do escritório, e sentar na do meu computador, e principalmente vou à praia! Não sem antes ficar horas no trânsito.
Mas até que o trânsito na estrada é bem legal. Sempre tem uns tipos. É olhar pro lado e ver aquele carro fora da lei. Cinco crianças na parte de trás sem cinto, mais duas com a mulher no banco do passageiro, fora os travesseiros sobre o porta-malas, que acabam com a função do retrovisor. Às vezes esses carros vem com o bônus: fumaça preto saindo do escapamento. Também tem os caras "carpe diem", sabe como é né? Você não precisa nem tá do lado pra saber que esses porras tão na estrada. É só começar a ouvir. Tá ouvindo? Segue esse som que ele vai dar direto naquela Tucson. É, aquela mesma que tem moleque saindo pela janela e gritando, sem camisa, claro. Essa daí também tem o bônus: o papai solteiro que é amigo dos brothers do filhão. Chega a ser tosco passar do lado desse carro e ver o tiozão querendo ser que nem os moleques, que, assim que tiverem carta, já não vão mais pedir pra ele ir na viajem. Tem também o carro das gatinhas. Esse aí eu não vou criticar, porque desse eu gosto.
Chegando na praia, aí sim: cinco dias de hot dog, miojo e açaí. Primeiro dia sempre tem o cabaço que é mais branco que o leite e não passa protetor. Pra ele vai ser só um dia de praia mesmo, porque nos outros ele vai ficar jogando PES no playstation. E a galera vai se dissolvendo, um porque vai ver uma amiga numa praia que é logo ali, outro porque comeu, de novo, camarão estragado na praia, e acaba que já no quinto dia tá todo mundo no apartamento jogando playstation. Fora quando não tem o bônus(esse maldito bônus) de acabar a água. Aí é que fica bom mesmo ir pra praia, afinal quem não gosta de areia na genitália?
Mas tudo bem. Chegando em São Paulo continua tendo férias, sem queimadura, sem infecção alimentar, sem furada do tipo "é uma praia logo ali", e sem areia "lá". Nos primeiros dias fico louco. Dou qualquer tipo de rolê, desde que tenha álcool. Aí começa a temporada de churrascos. No primeiro tem picanha maturada, no segundo tem picanha, um pouco dura, no terceiro "Picanha? Cê tá louco? Vamo bebe!". Tudo bem, porque ainda tem o cineminha, nossa tanto tempo que eu não vou no cinema. Chega lá tem que pagar ingresso e pipoca pra dois. Entro de bermuda e no meio do filme já não aguento mais de frio. Mas tudo bem, porque ainda tem os filmes que eu ainda não vi e que eu vou ter que alugar. Ah quer saber? "Mas tudo bem" é o caralho! Vou voltar pro escritório.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Remember the days of the old schoolyard?
Eu lembro das aulas de dobradura com os papeis da Yopa (hoje sorvetes Nestlé), em que o pessoal demorava, mas fazia sempre um pássaro, uma baleia, uma tulipa, um tsuru, enquanto eu teimava e tentava até conseguir fazer o meu: uma pedra. Por fim eu acabei me especializando em fazer pedras de papel e comecei a agredir os coleguinhas com elas, mas isso não vem ao caso. Tinha também as aulas de desenho livre, você podia usar o que quisesse: a técnica do pontilhado, contorno com canetinha, giz de cera, etc. Eu na verdade queria era conseguir fazer alguma coisa diferente do boneco de palitinhos, ou da boneca de palitinhos (igual ao boneco, só que com cabelo). Mas o pior da aula de artes, que ainda me dá pesadelos e me dá aversão a esse tipo de atividade, foi quando tivemos que fazer um mosaico. Pra quem não sabe do que eu to falando o mosaico que eu fiz era o seguinte: corte um monte de papel picado até ele ficar ridiculamente pequeno, depois faça um desenho em um pedaço de papel, então cole com cola branca os papeis no desenho para ficar bem bonito! O problema era a parte de colar. Eu sujava todos os meus dedos de cola e não conseguia colar o maldito papelzinho na folha, ele simplesmente não saia do meu dedo. Depois de muito tempo tentando eu finalmente conseguia, aí só faltavam mais 100 papeiszinhos pra eu colar, isso quando eu não fazia a proeza de colar um no papel e colar acidentalmente um, ou mais, que tava na folha na minha mão, tendo que fazer tudo de novo.
Tinha também a hora da humilhação. Era a hora em que iam expor no corredores do colégio as nossas "obras". Pra mim era sempre uma merda. Ou eles decidiam por só as melhores na parede, ou seja, eu ficava com a minha pra enfiar no cu, porque o meu nunca ficava entre os melhores, ou então eles resolviam por todas na parede, aí era pior ainda: "Nossa olha o do Eduardo como tá bonito!", "Nossa e esse aqui do Ricardo então", "Nossa Pedro o seu ficou uma bosta hein?"
A aula de artes acabou com qualquer chance deu virar um artista plástico.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Minando o sexo livre
Será que eles são?
Fui assistir ao filme "A Onda" e a ideia de que o fascismo talvez esteja ainda na nossa sociedade e possa explodir a qualquer momento ficou em minha cabeça. Foi quando a sala 1 resolveu fazer a sua própria camiseta, um uniforme que, coincidentemente, é preto. Isso me chamou muito a atenção e eu comecei a reparar nas outras atitudes que são características das exatas. São extremamente unidos(são os que mais reúnem torcida durante o interclasses), tem os "dizeres"-desculpem pelo "dizeres", não achei termo melhor- "Só macho e gostosa", evidência de que valorizam a força e a beleza físicas, em detrimento de qualquer outro atributo. Desvalorizam os diferentes, nesse caso as humanas, com um sentimento orgulhoso de opressor, dizendo "só viado" e achando que são bem melhores que "as mocinhas" das salas 2, 17, 21 e 23. Antes que digam que isso é forçação de barra de um "humaninhas" que tem inveja, digo que eu fiquei com uma puta vontade de ser das exatas e foi aí que eu percebi um dos aspectos mais significativos do fascismo bem na minha frente: a empolgação. O movimento fascista é uma corrente que chama atenção, é bonito, é legal, dá vontade de participar, de se sentir parte do grupo, de chamar o pessoal da sala 2 de viado e de usar a camiseta que é só pra macho e gostosa. É algo totalmente impensado você simplesmente quer ser que nem eles, porque eles que são legais! É impressionante. Reparem um pouco nesses aspectos das exatas, assistam a "A Onda" e me digam se eu to viajando demais.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Parabéns, Olimpíadas, Enem e Zelaya
Eu não era um entusiasta das Olimpíadas no Rio, e continuo não sendo. Depois de ouvir a opinião de muita gente tenho minhas considerações. Alguns disseram que se o Brasil fosse esperar não ter mais problemas de maior importância para fazer as Olimpíadas, nunca a faríamos. Ora, isso é uma consequência de políticas incompetentes e mal dirigidas pra educação e saúde públicas! Se o Brasil fosse um país sério, parafraseando de Gaulle, erradicaríamos tais problemas com o passar do tempo e, aí sim, receberíamos esse evento de tanto prestígio sem remorso. É verdade que as Olimpíadas trazem desenvolvimento ao local onde são realizadas, por exemplo a Vila Olímpica, que vira habitação popular ao término do evento, e a infraestrutura que fica nos esportes pros cidadãos. Contudo, temos o Pan 2007 como legado um tanto quanto falho, uma vez que a passagem das casas pros populares enfrenta problemas burocráticos até hoje, o Engenhão foi arrendado por um preço ridículo ao Botafogo para não ficar em desuso e o orçamento continuou a crescer vorazmente até o final do evento, sendo que até hoje o Tribunal de Contas da União não resolveu essa situação. Esses eram os motivos que me levavam a não querer as Olimpíadas no meu país. Mas nosso Pan não foi o suficiente pra evitar que elas viessem pra cá. Então o que sobrou pra mim e pra vocês é fiscalizar esse evento o máximo que pudermos, mostrar que somos receptivos e torcer muito: pra que nosso país realmente adote uma política esportiva séria, para que o superfaturamento seja mínimo e para que ganhemos algumas medalhas também!
Outro assunto que tá bombando é o cancelamento do Enem. Acho que isso é reflexo da importância que o governo dá pra educação, mas não só na esfera federal, afinal a educação do tão poderoso, rico e arrogante estado de São Paulo não está entre as melhores do Brasil há um tempo. Contudo não dá pra crucificarmos o governo e dizer que aquilo tudo é uma palhaçada, é verdade que ainda tá muito ruim, mas parece que eles realmente querem mudar. Estão procurando melhorar, em alguns poucos aspectos, mas estão.
Já o hondurenho mais brasileiro do mundo continua em nossa embaixada, pressionando o governo provisório. A Veja acusa o Brasil de imperialismo "megalonanico", acho que ela só tá querendo meter uma mala e ser arrogante. O Brasil concedeu asilo político a um refugiado, como é dever de toda nação que se diga democrática. Só que nosso país cagou em permitir as transmissões de mensagens incitando a revolta da população hondurenha de dentro da nossa embaixada, perdendo a tradicional neutralidade brasileira. Mas parece que, de tanto que eu demorei pra falar sobre isso aqui, o conflito está quase sendo resolvido, tendo apenas a questão da restituição de Zelaya sem um consenso. O presidente deposto forçou a barra querendo mudar a constituição para poder se reeleger, mas na medida em que o referendo ratificasse essa decisão de uma maneira justa(ou seja, com voto secreto), no meu entender essa ação seria perfeitamente democrática. O que não é democrático é depor um presidente eleito legalmente e legitimamente.
sábado, 26 de setembro de 2009
Avidez por uma visão política
Voltando à questão da avidez, eu também tenho esse problema, quero ouvir alguém expor sua visão de um modo claro e bem argumentado. Mas tenho preguiça, ou outras prioridades. É vergonhoso. É tão mais fácil incorporar visões, e não criar as suas. Isso na verdade é um grande perigo, tanta gente querendo absorver visões sem pensar, pode dar em merda. Ou pior pode dar em fascismo. Um filme bom sobre isso é "A Onda" que mostra como a população "estudada" não está preparada pra pensar por ela mesma, principalmente a jovem, que quer mais é agir.
Tá na hora de ler jornal.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Nessa onda de Nacionalismo...
- Seu Zé Nando disse...
-
Peraí, você está me dizendo que se orgulha de Canudos, em um pedaço do texto, ou finalmente eu fiquei ruim de interpretação de texto?
Por favor, leia Os Sertões. Canudos é um dos meus diversos motivos de morrer de vergonha de ter nascido nessa republiqueta de banana que é o Brasil.
"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até o esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados." (Trecho de "Os Sertões")
Isso é o que me vem à cabeça quando penso em Canudos. Um povo que não se rendeu, que preferia lutar por sua comunidade a voltar à semi-servidão, ao banditismo, ao mundo do sertão. Não julgo se eles estavam certos ou errados. O que me passa essa população é o ideal de luta, luta pelo que se acredita, um ideal fraco no Brasil hoje.
Basta ver o Sarney de volta ao Senado. Basta ver todo mundo, inclusive eu, falando "isso é uma palhaçada!" e depois voltar pra sua vida. Eu, por exemplo pensei em ir em uma passeata contra ele, mas era de sábado à tarde e tinha "Curso de Obras" no Anglo. Claro que eu poderia ter faltado no curso, mas minhas prioridades agora são outras. Talvez elas sempre sejam outras. Talvez até o povo de Canudos tenha lutado porque se via encurralado, não tinha outra coisa pra priorizar.
Não. Eles ainda teriam suas vidas, contudo escolheram a morte. Talvez a gente se mobilize mesmo contra a corrupção quando a situação se tornar insuportável, a ponto de não ter como eu priorizar o "Curso de Obras", este sendo para mim metonímea do vestibular, ou você priorizar qualquer outra atividade de sua vida. Até lá eu canto aqui e vocês participam do coral, se quiserem.
domingo, 13 de setembro de 2009
O que me faz brasileiro?
O motivo deu ter trazido esse assunto é ter visto no orkut muitas comunidades separatistas e divulgadoras de uma suposta "nação paulista". Tinha até gente dizendo que os paulistas eram escravizados pelo resto do Brasil(?). Então eu comecei a pensar no que porquê deu não concordar com os separatistas. Porque eu sou um brasileiro e não um paulista? Ou paulistano, uma vez que quase não vou ao interior. O que me faz identificar com o resto do país? Talvez a grande diferença social que temos mesmo aqui no município. Talvez a corrupção, já que os escândalos não se limitam à esfera federal, como o caso dos trens da Alstom e o Governo do Estado de São Paulo.
Na verdade eu não sei. Acho que a minha identificação com o país começou com a Copa de 94, quando todo mundo na casa da minha tia tava comemorando e eu vi minha mãe chorando e dizendo que o Brasil era tetra (hoje em dia, como muitos, ela não suporta a seleção brasileira). Depois vieram as Olimpíadas. Nossa, era muito legal ver aquelas pessoas representando todo um país. O meu país. O Brasil, país do futuro (ou melhor, país do dia de São Nunca). Mas de onde vinha esse país? Na escola me disseram que uns portugueses descobriram tudo isso aqui quando se perderam, tavam indo pra Índia(depois vem cara me dizer que português não é burro). Começou a colonização e os portugueses começaram a explorar as pessoas daqui. Tanto que um dia elas quiseram se separar, e conseguiram! Surgiu o Brasil, o país que se livrou dos portugueses. O país do meu povo! Um povo bravo, que lutou pela justiça e pela sua liberdade!
Nascia aí o meu nacionalismo e o meu idealismo. Eu devia tá no ginásio quando comecei a ter orgulho do Brasil e raiva dos portugueses. Pensava que eles eram todos uns filhos da puta que não souberam nem explorar meu país direito, tanto que hoje em dia foram superados pela colônia. Não penso mais assim. Não tenho nada contra portugueses, mas a questão aqui não é minha possível xenofobia. Com essa minha nova consciência de país passei a achar tudo daqui lindo, até que descobri a política. Aí eu comecei a achar que o Brasil era bom, o problema era o povo! Atingi o pico do meu nacionalismo e comecei a achar que todos os brasileiros eram imbecis e estavam estragando minha linda e perfeita nação. Fiquei com isso na cabeça um bom tempo, até que me veio à cabeça a coisa mais óbvia: sou brasileiro também! Não dava pra ficar falando mal do povo de que eu faço parte. Ou melhor, não dava pra ficar falando mal dele sem tentar mudar, seria hipocrisia. Decidi que ia mudar meu país, mudar as pessoas, decidi que ia ser jornalista. Atingi o pico do meu idealismo.
Hoje já percebi que é estúpido querer mudar as pessoas, tomei muitas "patadas" tentando ensinar o "certo" às pessoas à minha volta. Essa tentativa falhou, ao meu ver, por dois motivos: o "certo" é um conceito furado, não existe isso; não dá pra mudar quem não quer ser mudado. Aceitei que o mundo é assim, mas não desisti de mudar eu mesmo, sozinho, seria a mudança que queria ver no Brasil e, por que não, no mundo (parafraseando Gandhi). Tento ser o melhor brasileiro possível, tento ser o exemplo, não ser hipócrita, tento ser confiável, tento fazer a melhor escolha possível para meu país quando voto.
Considero-me brasileiro porque tenho um passado em comum com quem vive aqui, o Estado brasileiro e a história que aconteceu aqui nesse território determinaram toda esta zorra instalada onde moro. É verdade que a história de minha família remonta à Itália, mas a minha começa aqui, junto com a de muitos. Lembro que no "Porf Musical" desse ano (pra quem não sabe essa é a balada do Anglo) um dos professores que tava cantando falou "É você que vai cuidar do Brasil". Eu tava andando bêbado pela festa e simplesmente parei e fiquei um tempo estático. "Sou eu quem vai cuidar daqui, quanta responsabilidade! Eu TENHO que fazer o melhor trabalho possível". Eu vou fazer a história desse país junto com você, muito provavelmente.
Sou brasileiro porque me sinto parte da história desse país, e não só da história de uma Unidade Federativa. E que bom que sou brasileiro e posso dizer com muito orgulho que venho do país do futebol, do samba, da caipirinha, de Machado de Assis, de Chico Buarque, de Antônio Carlos Jobim, de Vinicius de Moraes, de Villa-Lobos, de Chiquinha Gonzaga, de Legião Urbana, de Engenheiros do Hawaii, de Chico Mendes, de Zumbi, dos 18 do Forte, de Canudos, da Amazônia, do Pré-Sal, do Etanol, da USP, de Itaipu, dos Lençóis Maranhenses, das Chapadas, dos Pampas, da miscigenação, de um povo que tem mais anti-herois do que herois. E ainda bem que tenho aqui também, bem próximos de mim, a corrupção, a pobreza, o egoísmo, o padrinhesco, o coronelismo, o superfaturamento, as favelas, e Paulo Maluf, pra me mostrarem como não ser e como não agir, me mostrarem que há muito a ser feito aqui, que nesse país tenho muitas possibilidades de crítica e de melhora.
E que merda seria se eu morasse em um país nórdico!
Vai Brasil!
PS - A oportunidade de fazer do seu país o melhor possível só acontece uma vez na vida.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Bem-Vindos ao galinheiro
Depois que você sai tem que começar a aprender a enxergar, a luz é intensa e vem de todos os lados. É complicado e demora tempo até você poder ter uma boa visão daqui. Na verdade o estado de nitidez máxima nunca foi atingido, isso porque quanto mais velho se fica melhor se enxerga, mas um dia só ficam nossas penas pra dizer sobre o que vimos. Às vezes nem isso...
Mas, sobretudo, a vida é boa aqui. Não que eu conheça a de outros lugares. Ou nunca tenha pensado que estamos andando sobre um monte de titica de galinha. Na verdade a vida tem potencial pra ser boa aqui, basta sair do seu ovo, e não ficar no puleiro como a grande maioria.
Prostituição
A modernização da sociedade brasileira tem muito a ver com o início da urbanização, o fim da república e a ascensão da indústria em nossa economia, ou seja por volta de 1920, 1930. Falei isso por dois motivos: fazer jus à falta de textos daqui, mostrando que tenho estudado pelo menos história do Brasil; mostrar há quanto tempo que nossa sociedade vem se modernizando.
Nesses quase 90 anos muito aconteceu: mulheres começaram a trabalhar, ganhar seu dinheiro, casar com quem queriam, ou não casar, morarem sozinhas, dar pra quem quisessem, etc (embora nesse último item ainda haja muito preconceito, tanto por parte deles quanto por delas, sendo que suspeito que estas sejam até mais que aqueles). Com essa liberdade de se relacionar, de transar sem engravidar (tomadas as devidas precauções), muito mudou por aqui. Contudo alguns impasses ainda se encontram nessa transição 1920/30-2000/10, sendo que um deles é biológico: homens não engravidam, mulheres sim. Ou seja, quem tem que tomar mais cuidado é ela, uma vez que hoje não se é necessário saber o nome pra transar, muito menos saber se vai assumir um filho, ou o telefone pra contato em caso de gravidez. O outro é da mentalidade da sociedade, com as diferenças entre os sexos diminuindo quem deve pagar a conta?
A mulher hoje ganha seu dinheiro, mora sozinha, sai com quem quer, quando quer e onde quiser, mas isso porque muitas antes das de hoje aceitaram serem taxadas de putas, de "fáceis", de perdidas, para fazer o que queriam com seu corpo e experimentar o que há por aí . Mas parece que as mulheres do século XXI se esqueceram disso e acham que conseguem todo esse poder por causa de seu corpo, não por serem iguais aos homens. Nessa onda de poder da mulher, de o sexo frágil ser o masculino, de manipulação da xana sobre o homem, as mulheres se perderam e acabaram se tornando um produto. É um favor você homem sair com esse belíssimo produto, que custou muito caro pra ser produzido, sabia? Não sei quantos reais de depilação, mais outros tantos de tratamento com o cabelo, mais o caralho a quatro de maquiagem, isso pra falar dos gastos na linha de produção que eu conheço, deve haver muitos outros procedimentos que eu desconheço. Além disso, ainda há os manufaturados que vêm sem itens de série e tem que pagar pelo opcional(se não ficou claro eu to falando de cirurgia plástica). Por isso você deve pagar caro pra ter só a presença dessa bela peça na sua mesa. Desculpem meninas, mas o dia em que eu sair com uma mulher pra consumi-la eu vou na Augusta e não num restaurante, onde eu pagaria por tudo sem ter garantia nem de degustação. Parece que a ideia de mostrar como o homem é igual à mulher ficou muito pequena pra você e na verdade ele está abaixo, por isso paga pela sua presença. Ou até que esse "favor" que vocês nos fazem se deve ao fato de vocês não se divertirem nos restaurantes, nos bares e nos motéis, tão lá simplesmente acompanhado, e sendo pagas para isso. Mais uma vez, prostituição.
Porra! Você não é objeto mulher! Para com essa ideia de que o cara tem que obrigatoriamente te pagar um monte de mimos! Presentes são ótimos, os que se podem compartilhar, como um jantar e um motel, melhores ainda. Mas pera aí! Eu não conheço muitas pessoas que dão presentes pra estranhos. Seja mais humilde e perceba que você é como nós, alguém tentando ter um pouco de diversão com outra pessoa, seja por uma noite ou por uma vida.
