sábado, 30 de junho de 2012

Vai querer brigar?

Hoje me deparei com um ótimo texto, bem provocativo e interessante. Como quase sempre, eu o encontrei por compartilhações do Facebook (ah, o "compartilhar", a salvação e a desgraça da invenção de Mark Zuckerberg). O texto é esse aqui.

Depois de ler, eu fiquei pensando sobre a infalível ética que a autora sugere que deve reger nossas vidas, "pois pra mim, se você vê isso acontecendo e não fala nada, você também é opressor". Pelo que eu entendi, ela sugere que se você não é parte da solução, então é parte do problema. Essa rigidez moral de "ou você defende, ou você oprime" é uma visão ótima para reflexão: ela toca, ela te coloca no lugar da vítima. Contudo, é uma péssima maneira de viver.

Alguém que siga esses parâmetros à risca da linha não irá conseguir se relacionar. Pior, só irá se relacionar com pessoas que têm exatamente os mesmos ideais que ela, já que, por essa lei "omissão=opressão" irá combater qualquer fala em sentido contrário às suas crenças. Imagine o peso de viver com essa diretriz a vida inteira. Imagine brigar com cada um que te fura a fila, que te corta no trânsito ou que fica parado à esquerda nas escadas do metrô. Isso só no âmbito da organização das pessoas fisicamente, se formos para o campo das ideias, estamos amaldiçoados por essa lei. Imagine brigar com qualquer um que fale que bandido bom é bandido morto, que mulher é objeto, que é negro não é gente, que fizer piada com o holocausto, com doenças mentais ou físicas, com outras etnias, que fale mal do Palmeiras, do Corinthians, do São Paulo, do Santos, do Brasil, dos EUA, do cristianismo, do islamismo, do budismo, do ateísmo, do nudismo, do PT, do PSDB, do PV, do PQP, pqp!

Não dá. A vida em sociedade é angustiante, no sentido de que somos egoístas a ponto de não querermos que os outros tenham pensamentos contrários aos nossos, mas tem que ser convivida. Por isso, acredito que, sim, "omissão=repressão" é um pensamento válido, é ótimo, mas, se adotado, pode ser uma maldição. Não quero dizer aqui que defender seus pontos de vista é estupidez, só que defender TODOS os seus pontos de vista é estupidez.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Léxico jornalístico, uma diferença entre vida e morte

Já no cursinho me ensinaram a importância da escolha lexical quando se escreve eu um texto. Para quem não sabe isso é só um nome técnico para a escolha das palavras que serão utilizadas. Pois bem, apesar deu ter adquirido esse conhecimento no já ido ano de 2008, é agora como jornalista que vejo explicitamente o poder disso. Explico porquê.


Até antes da revolucionária "Primavera Árabe" (revoluções movidas pelas redes sociais e que depois tiveram apoio da grande imprensa), ninguém na mídia se referia ao ditador Muamar Kadafi como um ditador. Ele era o "presidente" da Líbia. Assim como hoje ninguém se refere a Hu Juntao, "presidente" da China, como ditador. Feita essa comparação, chamo atenção ao fato de que os veículos de comunicação esperaram a população se rebelar contra o "presidente" para declará-lo ditador. Antes não era? Para que a China seja vista como ditadura e, consequentemente, seu líder seja visto como um ditador, é necessário que o governo chinês reprima publicamente sua população que busca direitos exaltados no Ocidente? E já não o fez em 1989 em plena Praça da Paz Celestial? Se ao menos as coisas fossem "Made in Líbia", talvez Kadafi ainda fosse presidente.

Trazendo o problema da mídia em não dar nome aos bois para mais perto, chamo atenção a esta manchete: "Marcha da Maconha é proibida no DF e vira ato por liberdade", que é da Folha Online, mas poderia muito bem ser do Estadão ou do G1. Em uma busca rápida no Google, nota-se que a palavra encontrada nas manchetes é "veto" e "proibição". Quando aparece qualquer derivado da palavra "censura", é justamente assim, entre aspas. Não há um grande veículo que chame essas decisões do Judiciário pelo nome que lhes é correto: censura. Embora pareça simples, ou mesmo tola, essa diferença é crucial para a formação da opinião pública.

Estudos apontam que a maioria dos leitores de notícias lêem apenas a manchete, menos ainda lêem o primeiro parágrafo da matéria, e assim segue essa proporção inversa até se descobrir que somente o autor leu o último parágrafo. Sendo assim, colocar na manchete a palavra "CENSURA" é crucial para se divulgar a ideia de que tais decisões do judiciário são exatamente isso (não precisa nem ser em "caps" e negrito).

A grande implicação dessa troca é trazer a palavra "censura" ao debate sobre o assunto. Essa palavra tem um grande poder no consciente brasileiro e alimentaria o debate público (que, até onde sei, é finalidade do jornalismo). É verdade que radicais de esquerda a utilizam demais e acabaram por banalizá-la, mas, ainda assim, nossa grande imprensa não pode ter medo de deixar o discurso "chapa branca". Ela, assim como os que foram à marcha, tem que se movimentar, sair da sua zona de conforto. Pode até ser que também tome porrada, mas vai se mostrar viva. Porque, enquanto chamar ditador de "presidente" e censura de "proibição", vai continuar perdendo para Twitter e Facebook.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Videologs!

Ae pessoal, finalmente comprei a câmera e agora posso fazer videologs, isso quer dizer que eu não vou mais ficar escrevendo aqui? Sim, muito provavelmente vou ficar só nos videologs. Aqui vão os três que eu já fiz (os dois primeiros com webcam e o segundo com a câmera que comprei):








domingo, 12 de dezembro de 2010

Mar agitado

E não é que minha maré mudou? Hoje foi um puta dia da hora. Aliás, desde que eu escrevi no blog, ontem à noite, as coisas melhoraram. Eu tinha que acordar cedo hoje pra resolver o negócio da minha ID, mas resolvi passar um tempo com os caras do meu ap e a gente conversou pra caralho, demos umas risadas e fui dormir umas 23h, mas valeu a pena. Acordei às 5h e me aprontei pro trabalho, chegando lá já tava pronto pra me foder com esse negócio de ter perdido a minha ID, mas aí quando cheguei na "breakroom" eles me falaram que tinham encontrado minha ID!!! Na hora do almoço comi meu macarrão com atum, um gostinho lá de casa.
Hoje o treinamento foi ver cada uma das posições do trabalho e trabalhar um pouco em cada uma delas, foi muito legal. Eu tava na entrada, recebendo os guests e checando a altura das crianças, quando chegou um dos meus colegas de trabalho e perguntou qual era a língua que eu falava e eu disse português, e ele falou que precisava de alguém que falasse francês. Aí eu falei que tinha um "poor french, but I mean really, really poor". Eles falaram pra mesmo assim eu ir falar com o cara (e a família dele), porque as pessoas se sentem mais à vontade quando podem usar a sua língua e tal. Até hoje eu nunca tinha falado em francês com nenhum francês, na verdade eu nunca nem tinha falado com um francês. Cheguei pra ele e falei "Je parle un peux du français" ("eu falo um pouco de francês") e falei também "oublié tout, seulement m'embrasse" (OK essa segunda frase eu não falei, mas vale de piada pra quem tava no TUSCA, especialmete pro Caiuã, que tá ligado qual é o poder desse mantra). Não precisei falar mais nada. Ele começou a vomitar um monte de coisa e entre um "attende"(esperar), um "FAST-PASS" e um "Main entrace" eu entendi mais ou menos o que ele queria. O cara tinha pego o Fast-Pass pra todo mundo e não sabia como usá-lo, aí eu confirmei ou neguei algumas afirmações que ele fazia e no fim falei o horário que ele tinha que entrar na fila do Fast-Pass. Problema resolvido. Foi muito divertido.
Fiquei também na área em que a fila normal e a do Fast-Pass se junto e fica bastante gente esperando lá, aí uns brasileiros que viam na minha plaquinha que eu também sou do Brasil passavam por mim e falavam "Oi" e quando eu respondia em português eles ficavam muito felizes. Daí quando eu tava organizando as pessoas pra entrar na sala do simulador, ainda uma outra posição, chegou uma escursão da Forma Turismo com 50 brasileiros. Antes da galera entrar na sala eles vêem um videozinho e o cast members falam algumas coisas, aí um deles pediu pra eu fazer uma tradução simultânea, foi louco.
Agora tô aqui no apartamento assistindo ao futebol americano com o Luck (esse é o sobrenome dele, ele é descendente de irlandeses), amanhã vou fazer lavanderia e dar um rolê em algum parque provavelmente. To me sentindo muito bem, mesmo. Como pode mudar o humor tão rápido assim? Aliás, por falar em mudanças repentinas, hoje até fez sol e um certo calor aqui, mas depois ficou frio e chuvoso.
Até eu comprar uma câmera vocês continuam imaginando e eu escrevo: Gallo away.
Disney - Lugar para poliglotas

sábado, 11 de dezembro de 2010

Não foi dessa vez...

Que a morte me pegou!
OK exagerei MUITO no começo, mas é que jornalista é assim mesmo, safado!
É galera, vão ter que esperar ainda mais uma semana por meus videologs, na quinta-feira eu fiquei muito pior, acordei às 4h com 37,3 de febre e tomei um naldecon, melhorei. Ao meio dia (meu primeiro dia de trabalho começava às 13h45) a febre voltou, estava com 38. Liguei pro meu chefe e falei que não poderia ir porque estava doente. Fui para um "care center" que a assistência médica internacional me indicou e lá o médico que tinha um puta sotaque indiano me receitou um descongestionante e um antibiótico (os quais estou tomando religiosamente), foda foi entender a frequência e o período pra tomar os remédios, ele me mandou falar com as enfermeiras porque "elas falam espanhol", como se fosse o inglês que estivesse me atrapalhando de entendê-lo ( galera, modéstia a parte, eu to me sentindo o stifmeister do inglês aqui, to entendendo o que todo mundo me fala e tal, às vezes é foda entender uma ou outra pessoa, que fala de uma maneira mais diferente). Falei com as enfermeiras e entendi como era pra tomar, fui pra farmácia e gastei US$60 em remédio. Tomei na mesma tarde mas passei o resto do dia com febre.
Acordei no dia seguinte, sexta, já MUITO melhor do que na quinta(não desejo pra ninguém a solidão que eu senti na quinta, foi o momento mais depressivo da minha vida, ficar muito mal sem ter ninguém pra te ajudar - ainda bem que eu comprei um celular aqui que me permite fazer chamadas internacionais ilimitadas e aí pude contar com a ajuda dos meus pais, mesmo que só por voz). Fui pro treinamento, levei o atestado e tal. No fim do dia percebo que perdi minha Disney ID (é sério), ou seja, sem parques de graça nos meus days off, que por sinal são na segunda e na terça. Na verdade sem essa ID eu não posso nem entrar na área dos Cast Members sem meu gerente estar lá pra me por pra dentro. E, embora eu tenha ligado muitas vezes pra ele, ele não atendeu.
Minha sorte é que hoje era meu "Discovery Day"(que é um dia só pra gente conhecer melhor o Epcot e sua história - se muitos se manifestarem nos comentários pedindo a história do Epcot, eu posto aqui) e a rotina foi diferente, então não precisei do gerente pra entrar. Procurei de novo no achados e perdidos e não estava lá, ela se foi mesmo. Depois das atividades do "Discovery Day" eu liguei pro meu gerente de novo, afinal só ele pode começar o processo de me fazer outra Disney ID, mas pra variar ele não atendeu o telefone e eu deixei um recado avisando sobre minha situação. O mais foda é que isso vai me custar US$35, ou seja, 5 horas de trabalho (se fode ae...).
Amanhã é mais um dia de treinamento e eu já vou tentar agilizar esse negócio da minha nova Disney ID. A merda é que provavelmente ela não vai ficar pronta em um dia, então não vai ser nesses meus days off que eu vou finalmente para os parques como um Guest. Nóis manolo, pelo menos to fazendo macarrão com atum aqui e tá gostoso.
Provavelmente quinta que vem eu vou poder comprar a câmera na Best Buy, a não ser que meu turno seja o da tarde até a noite, 13h45 ~ 22h30, porque aí não tem como ir, já que os ônibus pra Best Buy só começam a sair às 11h e não dá tempo de ir lá, voltar e ir pro trabalho. Mas, se isso acontecer, eu compro a câmera no Walmart mesmo que pelo que eu vi hoje tinha algumas boas.

Nóis na ação anbitiótica manolo! Agora deixa eu comer meu Snickers gigante de 50 centavos...

Disney - Aindo tô pra ser seu Guest...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Primeiro dia de trabalho coletivo é amanhã!

Aos que ainda não sabem: trabalharei no simulador de asa delta do Epcot chamado Soarin.
Então galera to loco pra fazer um videolog, só que não tenho uma câmera, vou comprar na quinta feira, quando vai ter ônibus pra best buy!
Só que não esperem pelo padrão de qualidade na edição, já que não terei tempo pra isso, vou só filmar e colocar no ar. Ficar escrevendo no meu blog seria uma boa, mas toma muito tempo!
Amanhã é meu primeiro dia de trabalho, vou estar lá com o bottom de animal sendo adestrado, mas meu turno começa só às 13h45(e vai até 22h30) portanto vou ver se de manhã eu compro a câmera e faço o videolog.
Hoje foi formalmente meu primeiro dia de trabalho, chamado "Traditions" mas que na verdade é só uma aula. Mas foi bem legal, sabe aquele rumor de que tem um túnel debaixo do Magic Kingdom? É verdade, eles levaram a gente pra conhecer \o/! A gente também finalmente recebeu nossa Disney ID, com ela podemos entrar nos praques de graça e temos desconto em um monte de coisa, na disney e nos outlets de orlando(e lá se vão meus dólares). Ah lembrando que só ganha lembrancinha quem foi na minha despedida! E o Caiuã vai ganhar duas, porque o cara me pede um chaveiro do Mickey desde 2007!
A má notícia é que eu tô doente!!! Tá muito frio aqui em Orlando, entre 0 e 10 graus celsius e esse negócio de ficar saindo e entrando de lugar com aquecimento me deixou resfriado. Já tomei um naldecon dia e daqui a pouco, antes de dormir(lembrando que a diferença no fuso é que São Paulo tá 3h na frente), tomo um noite. Por causa disso ainda não fui nos parques!!! Passei a tarde toda dormindo e vendo se melhorava, não deu muito certo, ainda to mal =/
Não queria terminar com má notícia, mas foi o que sobrou. Amanhã então provavelmente vocês me verão num videolog e depois de amanhã, já que eu devo chegar tarde do trabalho, eu conto como foram o primeiro e o segundo dias.
Beijos a todos!
Disney - We create Happiness

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Videologs

Bom, aqui vão meus três últimos videologs:










É isso ae, divirtam-se!

Programas educativos que sofrem preconceitos

Em época de eleição aviso aos candidatos que o que mais me preocupa no Brasil é a educação, e não estou falando de bons modos (até porque nunca primei por eles aqui no blog). O estudo é essencial para o desenvolvimento de uma nação, porque é a única forma de se modificar uma sociedade, para o bem e para o mal. Isso porque a reforma é na mente da população e não apenas uma modificação física, uma ponte, um viaduto, uma avenida (sim, estou falando de você, Maluf).

Sobre programas de educação na TV não há muito o que falar. Tem o Telecurso 2000, mas acho que quem tem tempo pra assistir aquilo não são realmente as pessoas que poderiam usar aquela informação de forma a crescerem profissionalmente. Fora o telecurso não conheço nenhum outro programa explicitamente educativo. É aí que entram os programas de humor. Há um provérbio latino que diz "ridendo castigat mores", rindo se castigam os costumes, ou rindo se castiga a moral. Ou seja, quando rimos, sublevamos aquilo que uma vez fora sério, constatamos a podridão em que algum conceito, instituição ou pessoa se encontra. Aqui no Brasil por mais que se façam piadas sobre tudo, não há nada mais que nos agrade do que rir da política. A falta de confiança que temos nos nossos representantes do executivo e do legislativo (que, diga-se de passagem, fomos nós mesmos que escolhemos) se mostra por esse fato.

O humor é uma forma de percepção tão aguda que invevitavelmente temos que expressá-lo através de nosso corpo de alguma forma, e acredito que essa ideia siga a razão de quanto mais reveladora a percepção, mais intensa é a nossa expressão, chegando no ápice ao choro. Portanto, um programa cujo objetivo é causar a percepção de alguns fatos, e principalmente de alguns podres, pra mim pode ser considerado um programa educativo (e com uma audiencia e abrangência muito maior do que a Telecurso 2000). Dessa maneira, capar a nossos professores, como fez o TSE, em plena época de eleição é um deserviço absurdo e que não deveria passar impune. Contudo, acredito que nossos professores ainda não tiveram tempo de nos ensinar essa lição.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Autoestima

Certas atitudes me deixam com vergonha alheia. Eu fico incomodado ao vê-las, mas isso é um problema meu. Assim como eu tenho esse impecilho, tem também gente que precisa causar muita vergonha alheia pra se sentir bem. Os "bolanders" de balada e academia, os caras com o celular tocando música muito alta no metrô ou no ônibus, as pessoas que bebem até cair (ou então nem bebem tanto assim) e falam que estão MUITO bêbadas, entre outros.
É fato, o ser humano precisa de atenção. Olha pra mim, eu tenho um blog e um videolog pra ver se as pessoas e dão mais atenção e gostam mais de mim (e antes que você me pergunte, não, elas não gostam mais de mim por isso, mas eu tento). Só que tem gente que estrapola e a vergonha alheia se torna raiva. E aí em vez de a pessoa se tocar ela fica mais feliz, e começa a se sentir de invejada e de uma hora pra outra (não sei como se dá esse processo) começa a se sentir melhor que todo mundo. O se humano é uma besta mesmo. Claro que a inveja existe, mas tem gente que cria todo um mundo que sente inveja dela e ela se alimenta disso pra aumentar a autoestima, principalmente as que querem se sentir "jovens e abalando".
Acho que, pra alguém assim, descobrir que essa inveja toda não existe, e que tem muita gente que só tem dó seria terrível, a pessoa perderia o chão. Claro, acabaria com a fonte da sua autoestima, e ninguém sobrevive sem isso. Isso me deixou pensando em algumas coisas: será que transformar todo o mundo à nossa volta pra poder alimentar nosso ego e nossa autoestima é benéfico ou maléfico? Estaríamos plantado uma armadilha para nós mesmos? Será que já não fazemos isso em nossa vida e nem percebemos, só conseguimos ver esses mecanismos no outro?
Eu sei, é duro só lançar a questão e nem sequer esboçar resposta, mas acho que pra responder essas daí só com o psicólogo do lado.

Abaixo, o meu segundo videolog, fique à vontade pra comentar e se inscrever no canal.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Metrô

É impressionante como há pessoas que não ligam para algumas coisas simples como regras de uso do Metrô. Simplesmente ignoram qualquer mensagem dada pelo condutor do trem, pelos cartazes e até pela TV Minuto. E, não, eu não acho que regras foram feitas para serem quebradas, acredito que tenham sido criadas para serem discutidas.
Você acha que o governo gasta tanto dinheiro em anúncio ensinando que é pra ficar à direita na escada rolante, ou pra esperar as pessoas saírem antes de entrar no trem, ou pra não ficar na região das portas, porque ele gosta de encher o saco? E os condutores, ficam falando isso toda hora por que se sentem solitários na cabine e precisam falar com alguém? Essas regras, ou pra amenizar um pouco, essas indicações são para fazer das estações de trem e das viagens algo mais confortável, para que todos se respeitem, para que o fluxo de pessoas seja melhor.
Como exemplo da ignorância às indicações e de como elas têm sua importância vou citar o caso de uma amiga. Uma vez enquanto estávamos no trem ela me disse que devia haver um consenso: ou se espera as pessoas entrarem no trem ou se esperava as pessoas saírem do trem, porque todos ao mesmo tempo vira uma bagunça que só estressa e frusta os usuários do Metrô. Eu falei pra ela que existia essa convenção e que ela era divulgada por placas nas estações e nos trens, ao que ela me respondeu que nunca tinha reparado.
Essa situação ilustra o absurdo. Será que nós estamos tão preocupados com nós mesmos e nossos problemas que não só ignoramos placas e avisos, mas também o direito dos outros, como se isso fosse algo normal e aceitável? E a partir dessa ignorância propomos melhorias à convivência que já existem, mas ninguém as segue porque estão todos fechados em suas bolhas ( por mais clichê que essa imagem possa ser)? Ainda outro círculo vicioso que espero um dia acabar (eu sei que a ideia de um círculo vicioso é exatamente não acabar, que isso seria incoerente, mas não tire os sonhos de um jornalista, sem isso só nos resta o diploma, que já não vale muito).

Ainda baseado nesse assunto, posto aqui o meu primeiro videolog:

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Férias?!

Verão, ainda tem um bom caminho até o natal. Tudo bem, porque agora eu pego meu décimo terceiro e... gasto tudo na porra dos presentes praquelas tias que quando num tão falando que eu deveria arranjar um trabalho de verdade, que nem meu primo que já é Doutor, tão falando do Roberto Carlos. Mas tudo bem, já, já tem férias. Passa o Natal. Fico que nem louco procurando as lojinhas de onde eu ganhei aquelas cuecas, que pra variar eram cor de vinho e não serviam. Tudo bem, o combinado era R$70 e as cuecas tavam no desconto 5 por R$30. Pelo menos eu cumpri o valor e provavelmente a tia vai gostar do box do Roberto Carlos. Pelo menos não foi que nem no amigo secreto da empresa. Tirar a chefe é ser obrigado a insultar seu superior. Porque se fosse homem eu dava alguma coisa do Corinthians pra ele, ou mesmo uma gravata ou uma caneta. Mas mulher não. Se der caneta ou perfume não se dedicou pra escolher o presente. Se der lingerie, tá com segundas intenções. Se der roupa normal e ficar curta tá insinuando que ela tem que emagrecer; se ficar larga fica implícito o "nossa pensei que você fosse mais 'cheinha'". Resolvi exceder o limite e dar um óculos de sol da Gucci. Só depois foram me dizer que isso também pegava mal, mas com os outros funcionários, seu puxa-saco.
Mas tudo bem, porque daqui a pouco tem férias e todo mundo esquece isso. Além de a Rita não ficar me ligando pedindo o relatório, o Armando, aquele otário, não ficar falando de quantas mulheres ele acha que já comeu nessa semana, não ter mais que ficar em frente ao computador trabalhando, e, principalmente, eu não vou mais ficar horas no trânsito pra ir trabalhar. Não. Esses trinta dias serão meus!
As férias vão ser do caralho! A Cá vai ficar me ligando pra saber porque num liguei pra ela, meus amigos, e não aquele otário do Armando, vão ficar falando de quantas mulheres eu deixei de comer porque tava trabalhando, finalmente vou levantar da cadeira em frente ao computador do escritório, e sentar na do meu computador, e principalmente vou à praia! Não sem antes ficar horas no trânsito.
Mas até que o trânsito na estrada é bem legal. Sempre tem uns tipos. É olhar pro lado e ver aquele carro fora da lei. Cinco crianças na parte de trás sem cinto, mais duas com a mulher no banco do passageiro, fora os travesseiros sobre o porta-malas, que acabam com a função do retrovisor. Às vezes esses carros vem com o bônus: fumaça preto saindo do escapamento. Também tem os caras "carpe diem", sabe como é né? Você não precisa nem tá do lado pra saber que esses porras tão na estrada. É só começar a ouvir. Tá ouvindo? Segue esse som que ele vai dar direto naquela Tucson. É, aquela mesma que tem moleque saindo pela janela e gritando, sem camisa, claro. Essa daí também tem o bônus: o papai solteiro que é amigo dos brothers do filhão. Chega a ser tosco passar do lado desse carro e ver o tiozão querendo ser que nem os moleques, que, assim que tiverem carta, já não vão mais pedir pra ele ir na viajem. Tem também o carro das gatinhas. Esse aí eu não vou criticar, porque desse eu gosto.
Chegando na praia, aí sim: cinco dias de hot dog, miojo e açaí. Primeiro dia sempre tem o cabaço que é mais branco que o leite e não passa protetor. Pra ele vai ser só um dia de praia mesmo, porque nos outros ele vai ficar jogando PES no playstation. E a galera vai se dissolvendo, um porque vai ver uma amiga numa praia que é logo ali, outro porque comeu, de novo, camarão estragado na praia, e acaba que já no quinto dia tá todo mundo no apartamento jogando playstation. Fora quando não tem o bônus(esse maldito bônus) de acabar a água. Aí é que fica bom mesmo ir pra praia, afinal quem não gosta de areia na genitália?
Mas tudo bem. Chegando em São Paulo continua tendo férias, sem queimadura, sem infecção alimentar, sem furada do tipo "é uma praia logo ali", e sem areia "lá". Nos primeiros dias fico louco. Dou qualquer tipo de rolê, desde que tenha álcool. Aí começa a temporada de churrascos. No primeiro tem picanha maturada, no segundo tem picanha, um pouco dura, no terceiro "Picanha? Cê tá louco? Vamo bebe!". Tudo bem, porque ainda tem o cineminha, nossa tanto tempo que eu não vou no cinema. Chega lá tem que pagar ingresso e pipoca pra dois. Entro de bermuda e no meio do filme já não aguento mais de frio. Mas tudo bem, porque ainda tem os filmes que eu ainda não vi e que eu vou ter que alugar. Ah quer saber? "Mas tudo bem" é o caralho! Vou voltar pro escritório.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Remember the days of the old schoolyard?

Essa música do Cat Stevens (hoje Yusuf Islam) me fez lembrar da minha época de criança no colégio. Não havia nada demais, na verdade não consigo me lembrar de algo que tenha me alegrado muito no primário, ou mesmo no Jardim de Infância, mas se tem uma coisa que eu lembro e que eu não gostava era a aula de artes! Pra mim era uma frustração atrás da outra.

Eu lembro das aulas de dobradura com os papeis da Yopa (hoje sorvetes Nestlé), em que o pessoal demorava, mas fazia sempre um pássaro, uma baleia, uma tulipa, um tsuru, enquanto eu teimava e tentava até conseguir fazer o meu: uma pedra. Por fim eu acabei me especializando em fazer pedras de papel e comecei a agredir os coleguinhas com elas, mas isso não vem ao caso. Tinha também as aulas de desenho livre, você podia usar o que quisesse: a técnica do pontilhado, contorno com canetinha, giz de cera, etc. Eu na verdade queria era conseguir fazer alguma coisa diferente do boneco de palitinhos, ou da boneca de palitinhos (igual ao boneco, só que com cabelo). Mas o pior da aula de artes, que ainda me dá pesadelos e me dá aversão a esse tipo de atividade, foi quando tivemos que fazer um mosaico. Pra quem não sabe do que eu to falando o mosaico que eu fiz era o seguinte: corte um monte de papel picado até ele ficar ridiculamente pequeno, depois faça um desenho em um pedaço de papel, então cole com cola branca os papeis no desenho para ficar bem bonito! O problema era a parte de colar. Eu sujava todos os meus dedos de cola e não conseguia colar o maldito papelzinho na folha, ele simplesmente não saia do meu dedo. Depois de muito tempo tentando eu finalmente conseguia, aí só faltavam mais 100 papeiszinhos pra eu colar, isso quando eu não fazia a proeza de colar um no papel e colar acidentalmente um, ou mais, que tava na folha na minha mão, tendo que fazer tudo de novo.

Tinha também a hora da humilhação. Era a hora em que iam expor no corredores do colégio as nossas "obras". Pra mim era sempre uma merda. Ou eles decidiam por só as melhores na parede, ou seja, eu ficava com a minha pra enfiar no cu, porque o meu nunca ficava entre os melhores, ou então eles resolviam por todas na parede, aí era pior ainda: "Nossa olha o do Eduardo como tá bonito!", "Nossa e esse aqui do Ricardo então", "Nossa Pedro o seu ficou uma bosta hein?"

A aula de artes acabou com qualquer chance deu virar um artista plástico.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Minando o sexo livre

No embalo de cultura e contra-cultura nas aulas de História Geral comecei a pensar na diferente relação dos jovens com o sexo nos anos 60 e agora. Se naquela época a liberdade pra transar com quem quisesse era uma novidade, devido, entre outras coisas, à invenção da pílula anticoncepcional, hoje já é algo comum. As consequências disso para nossa geração são normalmente vistas como algo bom. "Nossa você pode comer alguém diferente a cada semana, às vezes dois alguéns, dependendo da sua lábia", acho que o grande problema dessa fala é o "pode". Hoje em dia se confunde a liberdade pra se transar com quem quiser com a obrigatoriedade de se transar com quantos mais puder e o jovem perdeu sua escolha. Se antes a pressão com as meninas era pra que se segurassem hoje em dia a última que for virgem tem que aturar fama de santinha. Com os homens sempre houve a pressão de ter que ser o fodedor, o metelão, mas acho que isso foi potencializado, é obrigatório colocar o pinto em qualquer buraco que se mexa, ou que aguente o movimento de vai-e-vem. Será que não estamos acabando com uma das nossas conquistas mais valiosas? É muito bom sair fazendo sexo com pessoas diferentes, adquirir experiência, ter muitas histórias pra se contar, mas quando se tem realmente vontade de fazer isso, se não a pessoa só se força a fazer algo que, se for feito sob pressão ou sem vontade, não é legal. Será que nós jovens com essa onda de fazer sexo com todo mundo não estamos sendo muito conservadores e mente fechada?

Será que eles são?

Seus valores são beleza, força, unidade, ostentação e agressão aos diferentes. Se identificam com com sinais e dizeres próprios. Possuem seu uniforme e se orgulham muito disso. Poderia-se estar falando dos nazi-fascistas, mas na verdade é sobre as exatas do anglo vestibulares. Forçado? Nem tanto...
Fui assistir ao filme "A Onda" e a ideia de que o fascismo talvez esteja ainda na nossa sociedade e possa explodir a qualquer momento ficou em minha cabeça. Foi quando a sala 1 resolveu fazer a sua própria camiseta, um uniforme que, coincidentemente, é preto. Isso me chamou muito a atenção e eu comecei a reparar nas outras atitudes que são características das exatas. São extremamente unidos(são os que mais reúnem torcida durante o interclasses), tem os "dizeres"-desculpem pelo "dizeres", não achei termo melhor- "Só macho e gostosa", evidência de que valorizam a força e a beleza físicas, em detrimento de qualquer outro atributo. Desvalorizam os diferentes, nesse caso as humanas, com um sentimento orgulhoso de opressor, dizendo "só viado" e achando que são bem melhores que "as mocinhas" das salas 2, 17, 21 e 23. Antes que digam que isso é forçação de barra de um "humaninhas" que tem inveja, digo que eu fiquei com uma puta vontade de ser das exatas e foi aí que eu percebi um dos aspectos mais significativos do fascismo bem na minha frente: a empolgação. O movimento fascista é uma corrente que chama atenção, é bonito, é legal, dá vontade de participar, de se sentir parte do grupo, de chamar o pessoal da sala 2 de viado e de usar a camiseta que é só pra macho e gostosa. É algo totalmente impensado você simplesmente quer ser que nem eles, porque eles que são legais! É impressionante. Reparem um pouco nesses aspectos das exatas, assistam a "A Onda" e me digam se eu to viajando demais.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Parabéns, Olimpíadas, Enem e Zelaya

O blog hoje faz um mês. Tô feliz com ele, nesse tempo já teve mais de 77 pessoas diferentes acessando e um post bombando com 9 comentários! Vamos ver se eu consigo fazer jus a essa fama recente. Aliás, eu sei que num tô conseguindo, mas tá chegando a hora da onça beber água e as coisas tão ficando tensas aqui. Mesmo assim vou ver se eu escrevo mais aqui e continuem me cobrando!

Eu não era um entusiasta das Olimpíadas no Rio, e continuo não sendo. Depois de ouvir a opinião de muita gente tenho minhas considerações. Alguns disseram que se o Brasil fosse esperar não ter mais problemas de maior importância para fazer as Olimpíadas, nunca a faríamos. Ora, isso é uma consequência de políticas incompetentes e mal dirigidas pra educação e saúde públicas! Se o Brasil fosse um país sério, parafraseando de Gaulle, erradicaríamos tais problemas com o passar do tempo e, aí sim, receberíamos esse evento de tanto prestígio sem remorso. É verdade que as Olimpíadas trazem desenvolvimento ao local onde são realizadas, por exemplo a Vila Olímpica, que vira habitação popular ao término do evento, e a infraestrutura que fica nos esportes pros cidadãos. Contudo, temos o Pan 2007 como legado um tanto quanto falho, uma vez que a passagem das casas pros populares enfrenta problemas burocráticos até hoje, o Engenhão foi arrendado por um preço ridículo ao Botafogo para não ficar em desuso e o orçamento continuou a crescer vorazmente até o final do evento, sendo que até hoje o Tribunal de Contas da União não resolveu essa situação. Esses eram os motivos que me levavam a não querer as Olimpíadas no meu país. Mas nosso Pan não foi o suficiente pra evitar que elas viessem pra cá. Então o que sobrou pra mim e pra vocês é fiscalizar esse evento o máximo que pudermos, mostrar que somos receptivos e torcer muito: pra que nosso país realmente adote uma política esportiva séria, para que o superfaturamento seja mínimo e para que ganhemos algumas medalhas também!

Outro assunto que tá bombando é o cancelamento do Enem. Acho que isso é reflexo da importância que o governo dá pra educação, mas não só na esfera federal, afinal a educação do tão poderoso, rico e arrogante estado de São Paulo não está entre as melhores do Brasil há um tempo. Contudo não dá pra crucificarmos o governo e dizer que aquilo tudo é uma palhaçada, é verdade que ainda tá muito ruim, mas parece que eles realmente querem mudar. Estão procurando melhorar, em alguns poucos aspectos, mas estão.

Já o hondurenho mais brasileiro do mundo continua em nossa embaixada, pressionando o governo provisório. A Veja acusa o Brasil de imperialismo "megalonanico", acho que ela só tá querendo meter uma mala e ser arrogante. O Brasil concedeu asilo político a um refugiado, como é dever de toda nação que se diga democrática. Só que nosso país cagou em permitir as transmissões de mensagens incitando a revolta da população hondurenha de dentro da nossa embaixada, perdendo a tradicional neutralidade brasileira. Mas parece que, de tanto que eu demorei pra falar sobre isso aqui, o conflito está quase sendo resolvido, tendo apenas a questão da restituição de Zelaya sem um consenso. O presidente deposto forçou a barra querendo mudar a constituição para poder se reeleger, mas na medida em que o referendo ratificasse essa decisão de uma maneira justa(ou seja, com voto secreto), no meu entender essa ação seria perfeitamente democrática. O que não é democrático é depor um presidente eleito legalmente e legitimamente.

sábado, 26 de setembro de 2009

Avidez por uma visão política

É engraçado como as pessoas em geral são ávidas por uma visão política. Percebi isso no segundo colegial, quando um cara da minha sala me perguntou o que eu achava do governo Lula. Disse a ele que eu não tinha argumento pra dizer se era favorável ou contrário à política do presidente. Mesmo assim me perguntou "mas o que você acha?" e eu disse de novo que não tinha capacidade de avaliar. Acho que ele não tava interessado em discutir e pensar sobre política, queria era incorporar uma visão pronta, daquelas que se carrega no bolso e se diz pros outros em rodinhas, pra mostrar que tem visão de mundo (ainda faço muito isso). O fato é que eu comecei a pensar no porquê dele ter vindo me procurar. Talvez porque eu sou o "arquétipo do nerd" e por isso eu deveria ter uma visão política bem avaliada. Sempre gostei de instigar os outros. Por exemplo em rodinhas nas quais se fala mal do Lula, perguntavam-me o que eu achava dele e eu dizia que não o achava tão ruim, era o fim do mundo pra muitos. Mas o irônico é que quem demonstra não pensar como a maioria acaba sendo procurado quando se quer uma posição mais séria (não que eu me inclua nesse ponto, não tenho visões bem pensadas sobre qualquer assunto, exceto sobre pena de morte).
Voltando à questão da avidez, eu também tenho esse problema, quero ouvir alguém expor sua visão de um modo claro e bem argumentado. Mas tenho preguiça, ou outras prioridades. É vergonhoso. É tão mais fácil incorporar visões, e não criar as suas. Isso na verdade é um grande perigo, tanta gente querendo absorver visões sem pensar, pode dar em merda. Ou pior pode dar em fascismo. Um filme bom sobre isso é "A Onda" que mostra como a população "estudada" não está preparada pra pensar por ela mesma, principalmente a jovem, que quer mais é agir.
Tá na hora de ler jornal.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Nessa onda de Nacionalismo...

Esse texto era pra ser uma resposta ao comentário do Seu Zé Nando, mas como eu achei que ficou bom pra abrir outra discussão preferi postar.

Seu Zé Nando disse...

Peraí, você está me dizendo que se orgulha de Canudos, em um pedaço do texto, ou finalmente eu fiquei ruim de interpretação de texto?
Por favor, leia Os Sertões. Canudos é um dos meus diversos motivos de morrer de vergonha de ter nascido nessa republiqueta de banana que é o Brasil.

Bom Nando eu acho que você ainda está sano e interpreta bem textos. Mas o motivo de meu orgulho eu não disse.

"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até o esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados." (Trecho de "Os Sertões")

Isso é o que me vem à cabeça quando penso em Canudos. Um povo que não se rendeu, que preferia lutar por sua comunidade a voltar à semi-servidão, ao banditismo, ao mundo do sertão. Não julgo se eles estavam certos ou errados. O que me passa essa população é o ideal de luta, luta pelo que se acredita, um ideal fraco no Brasil hoje.
Basta ver o Sarney de volta ao Senado. Basta ver todo mundo, inclusive eu, falando "isso é uma palhaçada!" e depois voltar pra sua vida. Eu, por exemplo pensei em ir em uma passeata contra ele, mas era de sábado à tarde e tinha "Curso de Obras" no Anglo. Claro que eu poderia ter faltado no curso, mas minhas prioridades agora são outras. Talvez elas sempre sejam outras. Talvez até o povo de Canudos tenha lutado porque se via encurralado, não tinha outra coisa pra priorizar.
Não. Eles ainda teriam suas vidas, contudo escolheram a morte. Talvez a gente se mobilize mesmo contra a corrupção quando a situação se tornar insuportável, a ponto de não ter como eu priorizar o "Curso de Obras", este sendo para mim metonímea do vestibular, ou você priorizar qualquer outra atividade de sua vida. Até lá eu canto aqui e vocês participam do coral, se quiserem.

domingo, 13 de setembro de 2009

O que me faz brasileiro?

Quando eu era criança eu costumava pensar: "se o sudeste e o sul são as mais ricas regiões do Brasil, por que elas não se separam? Aí a gente vai ter um país muito rico sem regiões pobres!" Acho que eu disse isso pro meu pai. Não me lembro qual foi sua resposta. Mas a ideia era de que o separatismo não era uma coisa boa. Era uma coisa meio infantil mesmo, pensar que o sudeste e o sul são ricos e o resto é pobre. Que aqui é o Brasil bom e ético e lá o Brasil ruim e corrupto. Não sei se vocês sabem, mas o Vale do Ribeira é uma das regiões mais pobres do país, e fica no estado de São Paulo.

O motivo deu ter trazido esse assunto é ter visto no orkut muitas comunidades separatistas e divulgadoras de uma suposta "nação paulista". Tinha até gente dizendo que os paulistas eram escravizados pelo resto do Brasil(?). Então eu comecei a pensar no que porquê deu não concordar com os separatistas. Porque eu sou um brasileiro e não um paulista? Ou paulistano, uma vez que quase não vou ao interior. O que me faz identificar com o resto do país? Talvez a grande diferença social que temos mesmo aqui no município. Talvez a corrupção, já que os escândalos não se limitam à esfera federal, como o caso dos trens da Alstom e o Governo do Estado de São Paulo.

Na verdade eu não sei. Acho que a minha identificação com o país começou com a Copa de 94, quando todo mundo na casa da minha tia tava comemorando e eu vi minha mãe chorando e dizendo que o Brasil era tetra (hoje em dia, como muitos, ela não suporta a seleção brasileira). Depois vieram as Olimpíadas. Nossa, era muito legal ver aquelas pessoas representando todo um país. O meu país. O Brasil, país do futuro (ou melhor, país do dia de São Nunca). Mas de onde vinha esse país? Na escola me disseram que uns portugueses descobriram tudo isso aqui quando se perderam, tavam indo pra Índia(depois vem cara me dizer que português não é burro). Começou a colonização e os portugueses começaram a explorar as pessoas daqui. Tanto que um dia elas quiseram se separar, e conseguiram! Surgiu o Brasil, o país que se livrou dos portugueses. O país do meu povo! Um povo bravo, que lutou pela justiça e pela sua liberdade!

Nascia aí o meu nacionalismo e o meu idealismo. Eu devia tá no ginásio quando comecei a ter orgulho do Brasil e raiva dos portugueses. Pensava que eles eram todos uns filhos da puta que não souberam nem explorar meu país direito, tanto que hoje em dia foram superados pela colônia. Não penso mais assim. Não tenho nada contra portugueses, mas a questão aqui não é minha possível xenofobia. Com essa minha nova consciência de país passei a achar tudo daqui lindo, até que descobri a política. Aí eu comecei a achar que o Brasil era bom, o problema era o povo! Atingi o pico do meu nacionalismo e comecei a achar que todos os brasileiros eram imbecis e estavam estragando minha linda e perfeita nação. Fiquei com isso na cabeça um bom tempo, até que me veio à cabeça a coisa mais óbvia: sou brasileiro também! Não dava pra ficar falando mal do povo de que eu faço parte. Ou melhor, não dava pra ficar falando mal dele sem tentar mudar, seria hipocrisia. Decidi que ia mudar meu país, mudar as pessoas, decidi que ia ser jornalista. Atingi o pico do meu idealismo.

Hoje já percebi que é estúpido querer mudar as pessoas, tomei muitas "patadas" tentando ensinar o "certo" às pessoas à minha volta. Essa tentativa falhou, ao meu ver, por dois motivos: o "certo" é um conceito furado, não existe isso; não dá pra mudar quem não quer ser mudado. Aceitei que o mundo é assim, mas não desisti de mudar eu mesmo, sozinho, seria a mudança que queria ver no Brasil e, por que não, no mundo (parafraseando Gandhi). Tento ser o melhor brasileiro possível, tento ser o exemplo, não ser hipócrita, tento ser confiável, tento fazer a melhor escolha possível para meu país quando voto.

Considero-me brasileiro porque tenho um passado em comum com quem vive aqui, o Estado brasileiro e a história que aconteceu aqui nesse território determinaram toda esta zorra instalada onde moro. É verdade que a história de minha família remonta à Itália, mas a minha começa aqui, junto com a de muitos. Lembro que no "Porf Musical" desse ano (pra quem não sabe essa é a balada do Anglo) um dos professores que tava cantando falou "É você que vai cuidar do Brasil". Eu tava andando bêbado pela festa e simplesmente parei e fiquei um tempo estático. "Sou eu quem vai cuidar daqui, quanta responsabilidade! Eu TENHO que fazer o melhor trabalho possível". Eu vou fazer a história desse país junto com você, muito provavelmente.

Sou brasileiro porque me sinto parte da história desse país, e não só da história de uma Unidade Federativa. E que bom que sou brasileiro e posso dizer com muito orgulho que venho do país do futebol, do samba, da caipirinha, de Machado de Assis, de Chico Buarque, de Antônio Carlos Jobim, de Vinicius de Moraes, de Villa-Lobos, de Chiquinha Gonzaga, de Legião Urbana, de Engenheiros do Hawaii, de Chico Mendes, de Zumbi, dos 18 do Forte, de Canudos, da Amazônia, do Pré-Sal, do Etanol, da USP, de Itaipu, dos Lençóis Maranhenses, das Chapadas, dos Pampas, da miscigenação, de um povo que tem mais anti-herois do que herois. E ainda bem que tenho aqui também, bem próximos de mim, a corrupção, a pobreza, o egoísmo, o padrinhesco, o coronelismo, o superfaturamento, as favelas, e Paulo Maluf, pra me mostrarem como não ser e como não agir, me mostrarem que há muito a ser feito aqui, que nesse país tenho muitas possibilidades de crítica e de melhora.

E que merda seria se eu morasse em um país nórdico!

Vai Brasil!

PS - A oportunidade de fazer do seu país o melhor possível só acontece uma vez na vida.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Bem-Vindos ao galinheiro

É complicado viver aqui. Isso porque logo a primeira coisa que você tem que fazer é sair do ovo, que precisa ser quebrado e além disso ser difícil, dá medo. Conheço pessoas que até hoje não saíram, mas acham que sabem tudo sobre o mundo fora dele. Conheço os que morrem de vontade de voltar pra dentro dele. E conheço os que não suportam ficar nesse enclaustro.
Depois que você sai tem que começar a aprender a enxergar, a luz é intensa e vem de todos os lados. É complicado e demora tempo até você poder ter uma boa visão daqui. Na verdade o estado de nitidez máxima nunca foi atingido, isso porque quanto mais velho se fica melhor se enxerga, mas um dia só ficam nossas penas pra dizer sobre o que vimos. Às vezes nem isso...
Mas, sobretudo, a vida é boa aqui. Não que eu conheça a de outros lugares. Ou nunca tenha pensado que estamos andando sobre um monte de titica de galinha. Na verdade a vida tem potencial pra ser boa aqui, basta sair do seu ovo, e não ficar no puleiro como a grande maioria.

Prostituição

A modernização da sociedade brasileira tem muito a ver com o início da urbanização, o fim da república e a ascensão da indústria em nossa economia, ou seja por volta de 1920, 1930. Falei isso por dois motivos: fazer jus à falta de textos daqui, mostrando que tenho estudado pelo menos história do Brasil; mostrar há quanto tempo que nossa sociedade vem se modernizando.

Nesses quase 90 anos muito aconteceu: mulheres começaram a trabalhar, ganhar seu dinheiro, casar com quem queriam, ou não casar, morarem sozinhas, dar pra quem quisessem, etc (embora nesse último item ainda haja muito preconceito, tanto por parte deles quanto por delas, sendo que suspeito que estas sejam até mais que aqueles). Com essa liberdade de se relacionar, de transar sem engravidar (tomadas as devidas precauções), muito mudou por aqui. Contudo alguns impasses ainda se encontram nessa transição 1920/30-2000/10, sendo que um deles é biológico: homens não engravidam, mulheres sim. Ou seja, quem tem que tomar mais cuidado é ela, uma vez que hoje não se é necessário saber o nome pra transar, muito menos saber se vai assumir um filho, ou o telefone pra contato em caso de gravidez. O outro é da mentalidade da sociedade, com as diferenças entre os sexos diminuindo quem deve pagar a conta?

A mulher hoje ganha seu dinheiro, mora sozinha, sai com quem quer, quando quer e onde quiser, mas isso porque muitas antes das de hoje aceitaram serem taxadas de putas, de "fáceis", de perdidas, para fazer o que queriam com seu corpo e experimentar o que há por aí . Mas parece que as mulheres do século XXI se esqueceram disso e acham que conseguem todo esse poder por causa de seu corpo, não por serem iguais aos homens. Nessa onda de poder da mulher, de o sexo frágil ser o masculino, de manipulação da xana sobre o homem, as mulheres se perderam e acabaram se tornando um produto. É um favor você homem sair com esse belíssimo produto, que custou muito caro pra ser produzido, sabia? Não sei quantos reais de depilação, mais outros tantos de tratamento com o cabelo, mais o caralho a quatro de maquiagem, isso pra falar dos gastos na linha de produção que eu conheço, deve haver muitos outros procedimentos que eu desconheço. Além disso, ainda há os manufaturados que vêm sem itens de série e tem que pagar pelo opcional(se não ficou claro eu to falando de cirurgia plástica). Por isso você deve pagar caro pra ter só a presença dessa bela peça na sua mesa. Desculpem meninas, mas o dia em que eu sair com uma mulher pra consumi-la eu vou na Augusta e não num restaurante, onde eu pagaria por tudo sem ter garantia nem de degustação. Parece que a ideia de mostrar como o homem é igual à mulher ficou muito pequena pra você e na verdade ele está abaixo, por isso paga pela sua presença. Ou até que esse "favor" que vocês nos fazem se deve ao fato de vocês não se divertirem nos restaurantes, nos bares e nos motéis, tão lá simplesmente acompanhado, e sendo pagas para isso. Mais uma vez, prostituição.

Porra! Você não é objeto mulher! Para com essa ideia de que o cara tem que obrigatoriamente te pagar um monte de mimos! Presentes são ótimos, os que se podem compartilhar, como um jantar e um motel, melhores ainda. Mas pera aí! Eu não conheço muitas pessoas que dão presentes pra estranhos. Seja mais humilde e perceba que você é como nós, alguém tentando ter um pouco de diversão com outra pessoa, seja por uma noite ou por uma vida.